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Número suppl.1

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Empreendedorismo de negócios e Enfermagem: revisão integrativa

Colichi, Rosana Maria BarretoI Lima, Stella Godoy Silva eI Bonini, Andrea Bueno BenitoI Lima, Silvana Andrea MolinaI
  • IUniversidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho. Botucatu, São Paulo, Brazil.

RESUMO

Objetivo:

Identificar o conhecimento produzido sobre o empreendedorismo de negócios na Enfermagem.

Método:

Revisão integrativa da literatura realizada nas seguintes bases de dados: Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL), EMBASE, SCOPUS, Web of Science, PubMed, Medline, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Base de Dados em Enfermagem (BDENF), Index Psicologia e Centro Nacional de Informação de Ciências Médicas de Cuba (CUMED). Foram incluídos estudos disponíveis em sua totalidade no período de 2007 a 2017.

Resultados:

Foram incluídos 22 artigos. As categorias que emergiram do estudo são as seguintes: Conceitos de empreendedorismo na Enfermagem, Perfil do enfermeiro empreendedor, Diversidade de negócios, Gestão de Negócios, Barreiras ao empreendedorismo de negócios na Enfermagem, Apoio ao enfermeiro empreendedor e Empreendedorismo na graduação em Enfermagem.

Conclusão:

Há necessidade de preparar os enfermeiros com habilidades adequadas para aumentar a capacidade de integração ao mercado de trabalho e melhorar o seu próprio bem-estar e o da sociedade.

Descritores::
Contrato de Risco, Mercado de Trabalho, Ocupações em Saúde, Enfermagem, Educação em Enfermagem

INTRODUÇÃO

Embora o estudo sobre empreendedorismo tenha sido intensificado a partir da década de 1970, ainda não se tem um único conceito definido em relação ao tema. Entretanto, para alguns autores, o empreendedorismo consiste em um conjunto de práticas adotadas com a finalidade de garantir a geração de riqueza e o melhor desempenho das sociedades(1).

Assim, a literatura tem nos apresentado diversas formas de interpretar o tema, como: o intraempreendedorismo no âmbito organizacional, geralmente relacionado à liderança e à visão de melhoria de qualidade em ambientes laborais; o empreendedorismo social, em que se promovem mudanças em um grupo de pessoas da sociedade; e o empreendedorismo de negócios, com a abertura e a gestão de empreendimentos, sendo este último o foco deste estudo(2).

Por meio do empreendedorismo de negócios, os jovens podem aumentar a sua capacidade de integração ao mercado de trabalho, acumular competências e melhorar o seu próprio bem-estar e o da sociedade. Simultaneamente, fomentar essa forma de empreendedorismo torna-se fundamental para a inovação, podendo servir como motor para a necessária transformação produtiva e contribuir de forma positiva sobre os rendimentos, impulsionando o crescimento econômico inclusivo(3).

Investir em competências e empreendedorismo significa também aproveitar as tendências atuais e futuras nesses âmbitos e proporcionar oportunidades de transformação social, política e econômica. Investir em competências pode ainda melhorar a transição dos jovens da escola para o trabalho(3).

Por outro lado, observa-se atualmente no Brasil um cenário de intensiva mercantilização do setor da saúde e de transferência de fundo público para o setor privado(4), o que vem ditando novos rumos ao mercado de trabalho do enfermeiro, rumos estes que devem ser levados em consideração pelos futuros profissionais.

A contratação indireta, que utiliza modelos de contratos de gestão através de Organizações Sociais de Saúde (OSS), é um fenômeno que vem ocupando espaço na Administração Pública brasileira. A adoção desse instrumento tem sido associada: aos limites à contratação de servidores públicos impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal, à flexibilização da gestão dos recursos humanos e ao aprimoramento da gestão (planejamento, avaliação ou prestação de contas)(5). Contudo, a vinculação da remuneração de profissionais de saúde a indicadores de desempenho, apesar de ser mais um dispositivo de melhoria da qualidade nos serviços de saúde, na prática, pode resultar em menor remuneração ao enfermeiro contratado pela OSS.

Observa-se a possibilidade de terceirização de serviços de saúde com a normatização, pelo Ministério da Saúde, da participação complementar da iniciativa privada na execução de serviços de saúde e do credenciamento de prestadores de serviços de saúde no SUS – Sistema Único de Saúde (inciso XIV do art.16 da Lei nº 8080/90). A contratação de serviços das instituições privadas de forma complementar permite suprir a insuficiência dos serviços no setor público. Dadas as peculiaridades dos serviços de saúde no âmbito do SUS, em que normalmente a demanda é superior à oferta, essa situação pode ser entendida como um mercado promissor aos empreendedores de negócios.

A atual dinâmica social – como o constante aumento da expectativa de vida, a expansão da atuação da mulher no mercado de trabalho, os novos arranjos familiares e os novos estilos de vida – vem atuando também na abertura de novos campos de atuação profissional do enfermeiro(6).

Aliada à globalização da economia e aos avanços tecnológicos, esse novo cenário indica caminhos ainda pouco explorados pelo profissional de enfermagem.

As atuais Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Enfermagem estabelecem como uma das competências do enfermeiro a administração e gerenciamento, devendo os profissionais estar aptos a serem empreendedores, gestores, empregadores ou lideranças na equipe de saúde(7).

Alinhada a essa perspectiva, recentemente foi publicada a Resolução do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) nº 568/18, que regulamenta o funcionamento dos consultórios e clínicas de enfermagem, valorizando o caráter empreendedor do enfermeiro ao reconhecer a personalidade jurídica desses serviços.

A fim de contribuir para a redução do distanciamento entre o ensino em Enfermagem e as exigências do mercado de trabalho, torna-se necessário investigar de forma abrangente o empreendedorismo nessa profissão. E, para melhor compreender o tema, faz-se importante conhecer como se configura a produção do conhecimento em periódicos nacionais e internacionais sobre o empreendedorismo de negócios na Enfermagem, a fim de fornecer subsídios aos docentes e pesquisadores de enfermagem.

OBJETIVO

Identificar o conhecimento produzido sobre o empreendedorismo de negócios na Enfermagem.

MÉTODO

Trata-se de estudo de revisão integrativa da literatura com construção de análise ampliada da literatura, possibilitando discussões sobre métodos e resultados de pesquisas, bem como reflexões sobre a realização de futuros estudos(8). A revisão integrativa ainda é definida como instrumento para acesso, identificação, análise e síntese da literatura de determinado tema, permitindo visão ampla do assunto, dos métodos empregados e dos resultados de publicações(9). Com esse método é possível sintetizar e produzir conclusões sobre o conhecimento produzido por estudos realizados acerca de determinado fenômeno, utilizando-se questão norteadora na busca dessa literatura(10).

Para se realizar revisão integrativa, fazem-se necessárias: a definição do problema por meio de objeto da revisão apresentado em forma de questão ou hipótese primária; a seleção de amostra depois de definidos critérios de inclusão; a caracterização dos estudos (as características ou informações a serem coletadas são definidas por meio de critérios claros, guiados por um instrumento); a análise de resultados (identificar similaridades e conflitos); e a apresentação e discussão dos achados(9).

Partindo da definição do problema, a questão norteadora da revisão foi: como se configura a produção do conhecimento sobre o empreendedorismo de negócios na Enfermagem?

Estabeleceu-se a seleção da amostra pelo período de 5 anos anteriores a setembro de 2017, por acesso de forma online às bases de dados de saúde disponíveis nos portais Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes ( www.capes.gov.br ) e Bireme – Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). No portal Capes, foram consultadas as seguintes bases de dados: CINAHL (Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature), EMBASE, SCOPUS, Web of Science e PubMed. No portal Bireme – Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), a pesquisa resultou em artigos de bases de dados como Medline, LILACS, BDENF-Enfermagem, Index Psicologia – periódicos técnico-científicos e CUMED.

No intuito de assegurar uma busca ampla de estudos primários, os descritores controlados (termos de pesquisa) foram combinados de diferentes formas, usando os operadores booleanos OR e AND: Descritores em Ciência da Saúde (DeCs) para elaboração de estratégia de busca no portal BIREME; no Medical Subject Headings (MeSH) para as bases SCOPUS, Web of Science e PubMed; no Emtree para elaboração de estratégia de busca na Embase.

Devido à inconsistência dos resultados apresentados na BVS, foram utilizadas quatro diferentes estratégias de busca para melhor delineamento da pesquisa, com descritores adicionais, gerando número amostral diferente. Utilizaram-se a somatória das referidas buscas e a respectiva seleção dos artigos. Na busca por um número amostral representativo, o período de tempo foi expandido para 10 anos para as bases SCOPUS, PubMed, CINAHL, Web of Science e EMBASE.

Para esses levantamentos, houve auxílio de bibliotecárias na elaboração da estratégia de busca e no levantamento bibliográfico.

Para a sistematização de dados, desenvolveu-se um instrumento de coleta com os dados relacionados aos autores e publicações, verificando-se a relação da Enfermagem com o empreendedorismo de negócios.

Os critérios de inclusão adotados foram: artigos disponíveis relacionados com o objeto de pesquisa, em língua portuguesa, inglesa ou espanhola, originados de revistas nacionais e internacionais, indexados nos bancos de dados referidos até setembro de 2017. Foram adotados os seguintes critérios de exclusão: validação de instrumentos, intraempreendedorismo (competências) e empreendedorismo social. Foram localizados 4.731 artigos nas bases, sendo 22 estabelecidos como corpo de análise, de acordo com o fluxograma da Figura 1.

Fluxograma de seleção do estudo, 2017
Figura 1
Fluxograma de seleção do estudo, 2017

RESULTADOS

A escassez de estudos sobre o tema foi confirmada. Entre os 22 artigos selecionados, 5 (23%) foram publicados em 2013, três (14%), nos anos de 2015 e 2016, dois (9%), em 2007-2009, 2012 e 2014, e um (4%), em 2011. Observa-se maior prevalência nos últimos 5 anos (2012 a 2016), com mais de dois terços do corpo da amostra.

Os artigos selecionados contemplam o cenário mundial, sendo prevalentes, no entanto, como local de estudo, os Estados Unidos (7/32,0%), seguidos do Canadá (3/13,6%) e do Reino Unido (3/13,6%). Austrália, Brasil e Iran tiveram com dois (9,1%) estudos cada. Outros estudos foram realizados na Finlândia (1/4,5%), na Espanha (1/4,5%), e na Tanzânia, Quênia e Filipinas (1/4,5%). Ressalte-se que os três artigos cujos estudos foram realizados no Canadá referem-se a uma mesma pesquisa.

Com relação ao tipo de pesquisa, observou-se a prevalência de pesquisas qualitativas (6/27%) e estudos de modelos teóricos (6/27%), seguidos das quantitativas (5/22%), três (13%) revisões e dois (9%) estudos de caso. No entanto, três artigos classificados como pesquisa qualitativa referem-se a um mesmo estudo realizado com grupo focal.

Apesar de o tema ser abrangente e multidisciplinar, a maioria dos artigos foi publicada em revistas especializadas em Enfermagem (14/64%). Nas demais publicações, as revistas da área de saúde tinham por escopo: segurança e trabalho (3/13,5%), gestão (1/4,5%), tecnologia (1/4,5%) e saúde pública (1/4,5%). Apenas uma (4,5%) era relacionada a gênero e trabalho, e outra (4,5%) era especializada em pequenos negócios e empreendedorismo, refletindo o baixo impacto da Enfermagem em áreas empresariais.

O trabalho possibilitou identificar a produção de conhecimento constante da literatura em periódicos nacionais e internacionais sobre o empreendedorismo de negócios na Enfermagem.

A escassez de estudos sobre o tema foi confirmada e se reflete ainda na ocorrência de poucos estudos considerados experimentais e quantitativos. Por esse motivo, também se observou prevalência de pesquisas qualitativas e estudos de caso, já que as estratégias metodológicas adotadas nesses trabalhos em meio restrito permitem uma compreensão ampliada dos fenômenos estudados e podem exigir ainda abordagens multidisciplinares e a combinação de diferentes formas de metodologias de investigação(11).

Entre os estudos revisados, constantes do Quadro 1, após ampla leitura dos textos completos, foram encontradas pesquisas que buscam avaliar e interpretar o empreendedorismo de negócios na Enfermagem sob vários aspectos. Da análise e sob as perspectivas delineadas pelas autoras, emergiram os seguintes temas: a) Conceitos de empreendedorismo na Enfermagem, b) Perfil do enfermeiro empreendedor, c) Diversidade de negócios, d) Gestão de Negócios, e) Barreiras ao empreendedorismo de negócios na Enfermagem, f) Apoio ao enfermeiro empreendedor e g) Ensino de empreendedorismo na graduação em Enfermagem.

Quadro 1
Caracterização dos artigos selecionados para análise segundo ordem, título, autor, ano, objeto do estudo, 2017
Seq.Artigo/ autores / anoObjetivo do Estudo
2Rising to the challenge of health care reform with entrepreneurial and intrapreneurial nursing initiatives (Wilson, Whitaker & Whitford, 2012)(2)Fornecer uma perspectiva global sobre a evolução das funções de enfermagem para a inovação nos cuidados de saúde. É oferecida uma visão histórica do empreendedorismo e do intraempreendedorismo. Inclui também a discussão de uma abordagem de empreendedorismo social para Enfermagem, configurações para enfermeiro intraemprego e implicações para pesquisa e prática.
6Barriers to nurse entrepreneurship: a study of the process model of entrepreneurship (Elango, Hunter & Winchell, 2007)(6).Coletar informações de profissionais de enfermagem através de grupos focais sobre as barreiras para iniciar um negócio.
12Iranian entrepreneur nurses' perceived barriers to entrepreneurship: A qualitative study (Jahani, Abedi, Elahi & Masoud, 2016)(12)Descrever as barreiras percebidas pelos enfermeiros empresários iranianos ao empreendedorismo.
13Entrepreneurial nurses and midwives in the United Kingdom: an integrative review (Drennan et al, 2007)(13)Investigar: (a) a extensão da atividade empresarial por enfermeiras, parteiras e visitantes de saúde no Reino Unido e (b) os fatores que influenciaram essas atividades.
14An investigation of the international literature on nurse practitioner private practice models (Currie, Chiarella & Buckley, 2013)(14)Investigar e sintetizar a literatura internacional em torno de modelos de prática privada de enfermeira (NP) para fornecer uma exposição de pontos comuns e diferenças.
15Nursing entrepreneurship: motivators, strategies and possibilities for professional advancement and health system change (Wall, 2013)(15)Explorar as experiências dos enfermeiros autônomos, que se veem como líderes no avanço da profissão de enfermagem, e sua contribuição para os cuidados de saúde.
16When the business of nursing was the nursing business: the private duty registry system, 1900-1940 (Whelan, 2012)(16)Descrever as origens do mercado de trabalho de enfermeiros de direito privado como o principal campo de emprego para enfermeiros iniciais e formas pelas quais o sistema de registro de direito privado conectou enfermeiros e pacientes nos EUA.
17Education for entrepreneurship in nursing (Boore & Porter, 2011)(17)Apresentar uma estratégia para o desenvolvimento da educação para o empreendedorismo em uma região do Reino Unido e sua integração em um programa de enfermagem pré-registro (NICENT)
18Nurse entrepreneurs' attitudes to management, their adoption of the manager's role and managerial assertiveness (Sankelo & Akerblad, 2008)(18)Explorar as atitudes dos empresários enfermeiros finlandeses para o gerenciamento, a adoção do papel do gerente, a capacidade de liderança gerencial, o desenvolvimento e as necessidades de treinamento em gerenciamento e fatores associados.
19Estudantes de enfermagem têm perfil empreendedor? (Roncon & Munhoz, 2009)(19)Conhecer o perfil dos estudantes concluintes de um curso de graduação em Enfermagem quanto ao empreendedorismo.
20Consulting in occupational health nursing (Roy, 2013)(20)Fornecer uma visão geral da prática de consultoria, do processo, das funções e dos papéis dos consultores de enfermagem em Saúde Ocupacional e apresentar algumas características comuns de consultores bem-sucedidos.
21Entrepreneurship in Nursing: overview of companies in the State of São Paulo (Andrade, Dal Ben & Sanna, 2015)(21)Identificar e caracterizar as empresas de enfermagem dirigidas por enfermeiros empresários registradas na Junta Comercial do Estado de São Paulo até 2011.
22Self-employed nurses as change agents in healthcare: strategies, consequences, and possibilities (Wall, 2014)(22)Investigar como os profissionais independentes percebem o campo da saúde contemporânea, quais os atributos que possuem que facilitam seus papéis como agentes de mudança, quais estratégias eles usam para influenciar a mudança e quais as consequências para as quais eles enfrentam suas ações, contribuindo assim para o que se sabe sobre mudança organizacional em contextos institucionalizados, como saúde.
23Dimensions of precariousness in an emerging sector of self-employment: A study of self-employed nurses (Wall, 2015)(23)Examinar as experiências dos enfermeiros independentes, a fim de compreender melhor o autoemprego no trabalho de cuidados profissionais, do ponto de vista da precariedade.
24Embedding nursing and therapy consultantship: the case of stroke consultants (Burton, Bennett & Gibbon, 2009)(24)Explorar os fatores que moldam a forma como consultores foram incorporados em serviços de AVC no Reino Unido enquanto oportunidades para profissionais experientes para progredir sua carreira na prática clínica.
25Providing Healthcare Services at Home-A Necessity in Iran: A Narrative Review (Nikbakht-Nasrabadi & Shabany-Hamedan, 2016)(25)Investigar um sistema abrangente para fornecer a prestação de cuidados de saúde em casa no Irã.
26Advancing nursing enterprises: A cross-country comparison (Pittman & Salmon, 2016)(26)Explorar casos de empresas de enfermagem no mundo em desenvolvimento e discutir seu potencial para informar o trabalho relacionado nos Estados Unidos.
27What are consulting services worth?: applying cost analysis techniques to evaluate effectiveness (Mastroianni & Machles, 2013)(27)Relatar como os consultores de enfermagem em Saúde Ocupacional, sejam eles internos ou externos à organização, devem documentar o benefício e a eficácia dos serviços prestados.
28Ten common mistakes to avoid as an independent consultant: an update (Hau, 2013)(28)Descrever erros em suposições e práticas comerciais que limitam o sucesso de um consultor de enfermagem e maneiras de evitá-los.
29From unmet clinical need to entrepreneurship: taking your informatics solution to market (Bowles & Heil, 2014)(29)Descrever o processo para levar uma solução de suporte à decisão no mercado como um negócio, compartilhando as etapas de responder a uma pergunta clínica, registrar uma invenção, criar um plano de negócios e empresa, obter financiamento de risco e lançar um produto comercial.
30Patient satisfaction with retail health clinic care (Hunter et al, 2009)(30)Analisar a satisfação do paciente com os cuidados prestados em duas clínicas de varejo por profissionais de enfermagem da família (FNPs) e assistentes médicos (PAs).
31Social cognitive determinants of entrepreneurial career choice in university students (Lanero, Vázquez & Aza, 2015)(31)Testar um modelo de escolha de carreira empresarial em estudantes universitários com base na Teoria da Carreira Cognitiva Social, verificando se os interesses empresariais afetam a escolha da carreira e se a autoeficácia percebida está relacionada às expectativas de resultados e se ambas as construções afetam interesses e escolha de carreira.

Os temas que emergiram do presente estudo foram agrupados em seis eixos temáticos segundo análise e perspectivas das pesquisadoras, a saber: a) Conceitos de empreendedorismo na Enfermagem, b) Ser enfermeiro empreendedor, c) Diversidade de negócios, d) Gestão de Negócios, e) Barreiras ao empreendedorismo de negócios na Enfermagem, f) Apoio ao enfermeiro empreendedor e g) Ensino de empreendedorismo na graduação em Enfermagem.

Os Conceitos de empreendedorismo na Enfermagem descrevem e discutem os tipos de empreendedorismo observados na área de Enfermagem, abordando de forma abrangente o assunto, suas dimensões e domínios da vida profissional do enfermeiro empreendedor. Há convergência na caracterização de três formas de empreender na Enfermagem, de acordo com atuação do profissional: o empreendedor de negócios, o intraempreendedor e o empreendedor social.

No Perfil do enfermeiro empreendedor, foram agrupadas as características, atitudes ou competências pessoais, bem como os motivos e oportunidades que impulsionam o enfermeiro a empreender.

Em relação à Diversidade de negócios, os diferentes nichos de mercado possíveis ao enfermeiro empreendedor podem ser observados, na maioria dos estudos, pela especificação do ramo de negócio dos participantes nos estudos experimentais, nos relatos de casos, descritos em revisão ou exemplificações e nas citações em trabalhos de cunho teórico. Observa-se que o ramo de negócio sofre influência de inúmeros fatores, como localização, economia, legislação e cultura onde é estabelecido, além daqueles relacionados às habilidades de cada empreendedor.

O tema Gestão de negócios abrange a avaliação de empreendimentos, erros e diretrizes para gerenciamento.

As Barreiras ao empreendedorismo de negócios na Enfermagem abrangem os obstáculos enfrentados pelos profissionais da área, que foram objeto de pesquisa direto em, pelo menos, cinco estudos. Os demais trabalhos reforçam essas barreiras.

Agrupadas no eixo Apoio ao enfermeiro empreendedor, são apresentadas as diversas formas de auxílio ao profissional de enfermagem para que se torne um empreendedor.

Já no que se refere ao Ensino de empreendedorismo na Enfermagem, este se revela incipiente, amarga em modelos tradicionais e ainda carece de maior atenção.

DISCUSSÃO

O empreendedorismo de negócios oferece aos enfermeiros oportunidades de autoemprego usando abordagens inovadoras. De maneira semelhante a outros empresários, o profissional de enfermagem pode ser proprietário de uma empresa, oferecendo serviços de enfermagem de prática clínica de forma direta, de educação, de pesquisa, de cunho administrativo ou ainda de consultoria. Diretamente responsável perante o cliente, pode atuar por meio de uma organização individual privada ou pública. Pelo uso da criatividade, pode desenvolver uma nova ideia, melhorar o serviço ou os métodos de entrega, ou desenvolver novos produtos ou novas formas de usar produtos existentes. Combinando características pessoais com habilidades e conhecimentos avançados ou especializados, os enfermeiros empresariais podem criar produtos ou serviços e comercializá-los a fontes externas(2,12-13). Aqui estão compreendidos ainda os profissionais dedicados à prática privada, autônomos ou proprietários de empresas(14-16). Esse conceito estaria ainda relacionado aos riscos inerentes a negócios empresariais e à obtenção de lucro(17). Vale ressaltar que o enfermeiro empreendedor já existe desde o início do século passado na forma de autoemprego, quando as enfermeiras eram independentes, trabalhavam e recebiam pagamento diretamente de pacientes privados que precisassem de serviços de enfermagem(16).

Em contraste com o empresário, um enfermeiro intraempreendedor é um empregado assalariado, muitas vezes de um serviço de saúde gerido pelo governo, que desenvolve, promove e oferece um serviço inovador de saúde ou enfermagem dentro de um ambiente de saúde, como hospitais e clínicas. As enfermeiras têm desenvolvido empreendimentos intraempreendedores desde a época de Florence Nightingale; no entanto, só agora, com a crescente demanda por serviços de saúde seguros, de alta qualidade e efetivos, mais recursos estão sendo dedicados aos enfermeiros assumindo uma maior variedade de papéis, com mais responsabilidade(2).

O empreendedorismo social é uma abordagem que envolve a concepção e implementação de ideias inovadoras em que o enfermeiro busca modelos práticos para promover metas sociais e ambientais. Embora as empresas sejam comumente vistas como empreendimentos comerciais destinados a obter ganhos financeiros, na Enfermagem, o empreendedorismo pode ser visto como uma forma de se obter bons resultados de saúde para o maior número de pessoas. Como tal, essas iniciativas representam exemplos de enfermeiras que fazem bem para a sociedade em geral. Geralmente associada ao voluntariado e a instituições sem fins lucrativos, tal concepção não precisa necessariamente excluir o lucro, e pode fomentar empresários e aumentar as oportunidades dentro da profissão(2).

No entanto, em todas as situações, os profissionais devem ter clareza de que um enfermeiro empreendedor de negócios, intraempreendedor ou empreendedor social sempre deve fazer mais com menos. Os enfermeiros, em qualquer área de prática ou nível de atuação, contribuem de forma valiosa para os cuidados de saúde ao demonstrarem as características e habilidades de empreendedorismo(17), respondendo ainda pelo desenvolvimento social e econômico de suas organizações e países.

Os enfermeiros empresários têm perfis mais orientados individualmente do que o resto da população e assumem uma atitude positiva em relação à administração de negócios(18). A responsabilidade individual e o esforço são características distintivas dos enfermeiros empresários, que também são líderes por natureza. São autônomos e desejam alcançar e criar por sua própria causa; querem ser vistos como superiores aos outros e ter sucesso. Os enfermeiros empresários são tomadores de risco, são mais inovadores do que os não empresários e têm um forte espaço de controle; em outras palavras, eles acreditam que podem influenciar os resultados pela capacidade, esforço e habilidade(18). O empreendedor tem ainda a necessidade de realizar coisas novas, colocar em prática suas próprias ideias(12,19). Habilidade em comunicação e foco na solução prática de problemas, além de iniciativa são outras características inerentes aos empreendedores(20). Saber reconhecer oportunidades parece ser um fator importante(6), mas saber explorá-las torna-se essencial(21).

Certas características de um empreendedor são reconhecidas como as mesmas inerentes a um bom profissional de enfermagem, já que precisa ser criativo, inovador, confiante, motivado, realista, trabalhar arduamente e ter boa comunicação(17). Nesse sentido, os enfermeiros encontram maneiras de fazer, ver, sentir, comunicar e aprender a melhorar a qualidade dos cuidados diretamente com os pacientes ou, indiretamente, pelo gerenciamento, educação, pesquisa ou política(17).

Entre os motivos externos que levam um profissional de enfermagem à pratica privada ou à abertura de negócio, não optando pelo emprego institucional com arranjos tradicionais de prática de enfermagem em hospitais e clínicas, estão as visões negativas nesses ambientes organizacionais, os quais estavam submetidos às mudanças no sistema de saúde dos países(13,15,18). São relatadas: lacunas no cuidado, turnos, ambiente estressor disfuncional, sobrecarga de trabalho, cuidado voltado à doença, modelo médico-centrado e modelo de cuidado hospitalar(15). A falta de autonomia e de influência sobre o trabalho, além de baixos salários também são descritos(18).

Sistemas de saúde que permitem uma maior diversidade nos provedores de serviços de saúde podem criar oportunidades para enfermeiros atuarem de forma empreendedora, como ocorreu no Reino Unido e na Finlândia por meio de mudanças legislativas e nas políticas, particularmente nos serviços médicos primários(13,18). Já no Brasil, o modelo adotado é o SUS, fundamentado em princípios como a universalidade do cuidado. Numa economia instável e ainda em desenvolvimento, a população brasileira tende, a princípio, a procurar por serviços de saúde gratuitos. No entanto, a reduzida oferta dos serviços públicos em comparação com a alta demanda vem contribuindo para a busca por outros serviços de saúde disponíveis no setor privado, criando novos mercados de empreendimento.

Vistas como oportunidades, alguns fatores que encorajam o empreendedorismo na Enfermagem incluem: as tendências demográficas, como envelhecimento populacional, gerações dispostas a pagar pela saúde, falta de tempo e filhos reconhecendo que não podem cuidar; as oportunidades nos estabelecimentos de saúde, devido à falta de mão-de-obra, aos serviços temporários, à redução de custos, à terceirização e à inserção de serviços suplementares não cobertos pelos serviços públicos ou por planos de saúde; e as tendências sociais relacionadas a estilos de vida, conveniência, saúde preventiva e fechamento de hospitais(6). Inclui-se aqui a Enfermagem vista como diferencial em alguns negócios devido a seus conhecimentos técnicos e habilidades pessoais de cuidado, expandindo seus papéis e abrindo novos caminhos(15).

Já a motivação interna é diversa. Muitos dos enfermeiros pesquisados sentem-se limitados e querem fazer a diferença para os pacientes e suas famílias, têm necessidade de seguir suas próprias metas, seus valores, ir além de medicações e procedimentos, colocar em prática seus conhecimentos e capacidades(15). Muitos querem ser seu próprio chefe; ter maior autonomia; ser capaz de praticar de uma maneira melhor; ter controle de carreira; estar no comando; correr riscos; enfim, ser bem sucedido(18). Há ainda a atração por horários de trabalho mais flexíveis, de modo a gerar renda de maneira que se encaixe com outras responsabilidades familiares(13).

A diversidade de negócios é destacada, já que são apresentadas possibilidades nos cuidados primários, secundários e terciários para atuação do enfermeiro empreendedor. No entanto, no empreendedorismo de negócios há prevalência nos cuidados primários(2,13).

Observou-se a predominância de negócios relacionados à área de saúde, sendo relatadas as atividades de enfermagem, principalmente a prática clínica privada, além de serviços como home care (2,12,14-16,21-26); são ainda descritos os cuidados de feridas(12,15,22-23); com diabéticos(15,22-23), de estomas(13) e de acidente vascular cerebral - AVC(24).

Há relatos de expansão da área de atuação para além da saúde, assumindo papéis não tradicionais, ao atuar em campos como estética, podologia e tratamentos alternativos. Essa valorização vem sendo relacionada ao conhecimento inerente ao enfermeiro, que traz um valor adicional na prestação desses serviços(15,22-23).

Os serviços de assessoria, consultoria e gestão de projetos estão em ascensão, já que os profissionais dessa área se tornam responsáveis por apresentar soluções para problemas complexos e criar mudanças(2,13,15,20-24,26-28). Entre os artigos estudados, as consultorias na área de Saúde Ocupacional tiveram relevância, sendo vistas como estratégicas, já que podem prevenir problemas, melhorar o bem-estar dos trabalhadores, controlar os custos com o cuidado da saúde e do absenteísmo, bem como a retenção de talentos nas empresas(20,27).

Outros nichos também são citados: aluguel de equipamentos(21); treinamentos(21,24,27-28); Saúde Ocupacional(15,20,22-23,27-28); educação(2,12,15,21-24); comércio e marketing de produtos(6,12,21); tecnologia (desenvolvimento de software)(29); clínicas privadas(2,30); casas de repouso(2,25); transporte de pacientes(2,12); terapias alternativas(12,15,22-23); podologia(15,22-23); estética, como depilação a laser(15,22-23) e aplicação de cosméticos faciais(13); cuidados de crianças e adolescentes(18); pesquisa(2,24,); invenção e fabricação de produtos(13); e fundo de investimento para enfermeiros(12).

O estudo de Drennan et al. (2007) classifica as atividades possíveis para o empreendedor em enfermagem em indiretas e diretas. Os serviços seriam prestados de forma indireta nos casos de consultorias, fornecedores de infraestrutura e força de trabalho e inventores/fabricantes; de forma direta seriam os serviços de saúde convencionais entregues pelos sistemas nacionais de saúde, serviços de visitas oferecidos diretamente aos clientes, outros serviços relacionados com a saúde prestados diretamente a um cliente, acomodação com serviços de enfermagem e demais serviços relacionados à saúde(13).

Além dessa gama de atividades relatadas, deve-se atentar para a existência de sub-registro, já que muitos dos profissionais atuam como empreendedores na prática privada sem, no entanto, formalizar ou notificar a abertura de uma empresa. O sub-registro é reforçado pela falta de legislação que permita esse registro, o que ocorre em vários países.

A avaliação de empreendimentos administrados por enfermeiros revela o enfermeiro como gestor de negócios. Fato confirmado pela escassez de literatura, constatou-se que, apesar de ser uma atividade em expansão, o número de empresas abertas por enfermeiros e a prática privada é reduzido(13,21,26). A maioria dos enfermeiros empreendedores são prestadores de serviços diretos de enfermagem (prática privada) e são proprietários de pequenos negócios e pequenas empresas(15,21), com baixos investimentos(21-22).

Estudos dão diretrizes de gestão e apresentam o novo papel do enfermeiro, agora como gestor. Além de descrever os serviços de consultoria(20,24,27-28), há esclarecimento sobre como planejar, buscar informações, analisar custos e melhor se comunicar com os clientes(27). Além disso, a importância das redes de trabalho com a comunidade também é relatada, devido à sua importância na divulgação de seus serviços(6).

Os enfermeiros empresários têm capacidade para assumir uma atitude positiva em relação à administração, mas há deficiências óbvias na adoção do papel do gerente e assertividade gerencial. A maioria deles apresenta necessidades de desenvolvimento e treinamento em relação ao gerenciamento(18). Em outras palavras, há evidências de que os enfermeiros que estão planejando iniciar seu negócio devem ter uma experiência de liderança anterior e devem participar de alguma forma de treinamento de gerenciamento(18).

Estudos descrevem erros em suposições e práticas comerciais que limitam o sucesso, revelando o despreparo do enfermeiro para assumir o papel de empreendedor na condução de seus negócios. Entre os problemas mais comuns, são citados: escolher mercados pouco rentáveis, subestimar o tempo necessário para a correta prestação de serviços, plano de negócios inexistente ou inadequado, preços subvalorizados ou serviços incorretos. Mesmo com uma grande base de clientes, uma má gestão do fluxo de caixa, precauções legais inadequadas e falta de planejamento de contingência são preocupações críticas. São explorados ainda os prós e contras de várias formas de negócios, como as parcerias, reforçando a compreensão adequada das armadilhas e os modos de evitá-las(28).

Esses erros podem ser minimizados com a formação de uma boa equipe gestora em casos de maior complexidade. Definir funções e pessoas com perfil adequado parece ser ingrediente essencial para o sucesso de um negócio(29).

Aliadas a um bom plano de negócios, a criatividade e a inovação na abertura de negócios podem trazer importantes resultados ao enfermeiro empreendedor, como o caso das clínicas de enfermagem dentro de grandes centros comerciais, sendo apresentado como opção de exposição da profissão devido à boa visibilidade, à conveniência de localização, à desnecessidade de agendamento, ao curto tempo de espera e aos preços baixos(30).

No contexto do empreendedorismo na Enfermagem, outra importante estratégia é o bootstrapping. Nesse conceito está implícito encontrar maneiras de apoiar um negócio até que ele se torne lucrativo, sem prejudicar o atendimento ao paciente. Um equipamento clínico juntamente aos outros equipamentos de negócios pode ser bootstrapped (adquirido a curto prazo) por um custo nominal. Pode-se usar a seguinte lógica: não comprar novo o que se pode comprar usado; não comprar usado o que se pode arrendar; não alugar o que se pode emprestar; não emprestar o que se pode trocar; não trocar o que se pode pedir; não pedir o que se pode ficar sem(6).

As principais barreiras ao empreendedorismo de negócios na Enfermagem identificadas neste estudo são apresentadas a seguir:

  1. Questões legais e regulatórias – É mencionada falta de conhecimento de questões legais, políticas de reembolso e procedimentos para cobrança de hospitais, operadoras de plano de saúde, estados ou seguradoras(6,15,22-23). Neste mesmo sentido, são mencionados a complexidade de processos burocráticos para registro ou licenciamento de negócios privados e o demasiado tempo de espera(12,26).

  2. Regulamentação da profissão – Refletindo uma estrutura tradicional de enfermagem, na maioria dos países a prática privada não é regulamentada, havendo escopo limitado de atuação da Enfermagem e, em muitos casos, dependendo ainda da autoridade dos médicos(12,14,25-26).

  3. Cultura de carreira de emprego – há uma tendência em seguir carreira em instituições públicas de saúde, principalmente em países onde o Estado é majoritariamente responsável pela saúde e as privatizações são menos presentes. Em países de economia instável ou em épocas de recessão, as famílias e cidadãos tendem a procurar fontes de renda com menores riscos, mesmo que a recompensa financeira seja menor, porque geram maior segurança, principalmente aos empregados em instituições governamentais(12).

  4. Valores sociais – Muitas vezes, pela cultura local ou por questões religiosas, as famílias podem estar encarregadas do cuidado de pessoas. Esse modelo diminui as chances de contratação de profissionais de enfermagem para o referido cuidado(25).

  5. Modelo médico-centrado – Nesse formato de organização, o principal dever é obedecer e seguir as ordens dos médicos e, sob tais condições, torna-se difícil desempenhar papéis de cuidados que seriam, pelo menos teoricamente, responsabilidade de enfermeiros. Em alguns países, essa submissão é reforçada pela cultura local, em que o papel de gestor de políticas públicas é desempenhado exclusivamente por médicos(12).

  6. Modelo de cuidado hospitalar – nesse padrão, o acesso a instrumentos terapêuticos de domínio da prevenção primária, secundária e terciária está centralizado na atividade hospitalar, restando à área privada o foco nos cuidados primários e na prevenção de doenças(14).

  7. Reembolso por sistemas de saúde: O método adotado em alguns países, tanto de sistemas públicos quanto privados, não prevê qualquer forma de pagamento, estabelece pagamento de valor inferior, ou, ainda, concebe a cobertura de serviços por planos de saúde de forma inadequada(12-14,25).

  8. Arranjos colaborativos com médicos – o arranjo colaborativo é entendido como a parceria entre um enfermeiro e um médico trabalhando em consultório particular, sendo um modelo exigido em alguns países como critério de reembolso. Nesse modelo, além da dificuldade de encontrar um médico com quem colaborar, este pode cobrar uma taxa para o estabelecimento do arranjo colaborativo. Além disso, essas relações reforçam o modelo médico-centrado(14).

  9. Crises econômicas e recessões: a estabilidade econômica traz previsibilidade e há tendência de empresários investirem em novos negócios, inovação e tecnologia. No entanto, as crises financeiras e os períodos de longas recessões geram insegurança e redução em novos investimentos(20).

  10. Despreparo para o papel de gestor e falta de habilidades operacionais, tendo, como consequência, a necessidade de desenvolvimento e treinamento gerencial devido às suas deficiências na gestão de negócios. Muitos relatam, inclusive, o desconhecimento de como fazer um plano de negócios(6,12,15,18,22-23,27).

  11. Conflitos pessoais e éticos: valores pessoais impedem a abertura de negócios relacionados ao cuidar de pessoas, já que o lucro gera conflito ético; fazer dinheiro seria incompatível com a mentalidade de serviços de enfermagem, mais relacionado ao voluntariado que ao lucro(6,12).

  12. Ausência de aceitabilidade e reconhecimento pelo público e pela própria classe(14-15,22-23,25,30), representada ainda pelo ciúme e a piada de seus colegas. Comportamentos como esses, apresentados pelos pares, infelizmente podem impor efeitos psicológicos adversos aos empresários. O mesmo sentimento é percebido quando colegas de profissão não aceitam, não ajudam ou mesmo atrapalham a divulgação dos negócios(12).

  13. Inexistência de corporativismo entre enfermeiros. Não se observa essa tendência para privilegiar os interesses do próprio grupo profissional, refletindo atitudes mais individualistas e menos solidárias(12).

  14. Falta de políticas públicas(6). Também expressas na forma de incentivos à prática privada ou à abertura de novos negócios para os quais não são concedidos descontos, isenções de taxas ou outras práticas(12,25).

  15. Falta de suporte técnico, já que os enfermeiros estão acostumados ao ambiente hospitalar e o trabalho em equipe(6).

  16. Cultura de não mudança. Muitos gestores de saúde não acreditam em mudanças, caminham pelo conservadorismo. Isso é reforçado quando se tem uma grande rotatividade na substituição desses administradores(12).

  17. Concorrência desleal: muitos serviços, principalmente de home care, são prestados por profissionais não graduados - muitas vezes de forma ilegal, já que não são fiscalizados - que praticam preço inferior e com qualidade discutível de serviços(12,25).

  18. Questões de gênero: entendido em muitas culturas como qualidade masculina, o empreendedorismo em uma profissão quase que maciçamente feminina tem demorado a ser entendido como uma forma de empoderamento das mulheres e de trazer benefícios para toda a comunidade(15,22-23,26).

Apesar de todos esses obstáculos, há relatos de diversas formas de auxílio ao profissional de enfermagem para que se torne um empreendedor.

Há registro de organizações de apoio a enfermeiros de prática privada nos EUA já no início dos anos 1900, as quais eram um elo entre os pacientes e as enfermeiras da época, impactando a gestão desses serviços com registro, formação, operação e administração desse negócio(16).

Entre as sugestões de organizações em que o enfermeiro empreendedor pode buscar recursos, há indicações, nos EUA, dos Small Business Development Centers (SBDC) e o Service Corps of Retired Executives (SCORE)(6). Similar ao SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), os SBDC prestam serviços por meio de consultores de negócios profissionais. Já o SCORE é uma rede de voluntários e mentores de negócios especializados.

As associações profissionais(6,22) e as Cooperativas(6) podem oferecer diversas formas de apoio, de técnico a gerencial. São exemplos: a rede de associação profissional de clínicas na Tanzânia (PRINMAT – Private Nurses and Midwives Association of Tanzania), uma franquia social no Quênia (Tunza) e uma cooperativa nas Filipinas (EntrepreNurse). Todas capacitam os enfermeiros a liderar e promover sua influência profissional. Com a missão social de melhorar o acesso ao cuidado de populações desfavorecidas, ainda possibilitam o aumento de emprego e a autonomia das mulheres. Elas também fornecem uma plataforma compartilhada para branding, compra e garantia de qualidade. Cada uma demonstra a importância de uma abordagem coletiva para o avanço das empresas de enfermagem. Para a PRINMAT, o principal interesse é promover a profissão, enquanto a franquia social da Tunza tem, como principal interesse, a expansão dos serviços alinhados com o foco do franqueador das ONG no planejamento familiar. A PRINMAT é uma associação membro que oferece treinamento, empréstimos, padrões clínicos e advocacia, enquanto a Tunza é uma franquia social que oferece, além das técnicas comuns de marketing e estratégias de marca, subsídios adicionais e um sistema de garantia de qualidade mais rigoroso. No caso da cooperativa EntrepreNurse, embora o governo a tenha iniciado e financiado, a abordagem de baixo para cima permite que cada grupo de enfermeiros defina serviços com base em seus próprios interesses e nas necessidades percebidas da comunidade. Nesse sentido, uma abordagem cooperativa pode ser útil quando a criação de emprego é a prioridade, embora o modelo de associação possa ser mais aplicável a situações nas quais enfermeiras e parteiras já possuem uma prática independente estabelecida e são bem vistas na comunidade. Uma abordagem de franquia social, por sua vez, pode ser mais aplicável quando especialistas em saúde pública identificaram uma área de necessidade severa, tanto em termos de acesso, como de qualidade(26).

As instituições de saúde, isto é, os locais onde são prestados serviços de saúde, sejam eles primários, secundários ou terciários, como os hospitais e clínicas públicas ou privadas, podem atuar como apoiadores, indicando pacientes(6).

O papel das universidades pode ser ampliado. Pela inclusão do ensino de empreendedorismo de modo adequado às realidades de mercado, elas podem servir de incentivo a esse novo contexto profissional, além de criar grupos de estudos para auxiliar os novos enfermeiros empreendedores(6,29). Vale ressaltar ainda que centros de transferência de tecnologia para registro de patentes e inovações tecnológicas estão presentes nas universidades(29).

Outra forma de apoio seriam os grupos de profissionais empreendedores para troca de informações, como coauxílio, que podem ser promovidos hoje pela tecnologia e pela rede mundial de computadores (internet), pelo uso de aplicativos ou mesmo por telefone, chamados de grupos virtuais(6).

Muitas iniciativas podem ser realizadas por órgãos legislativos e órgãos não governamentais para encorajar os enfermeiros a se tornarem empresários de enfermagem por meio da identificação de nichos específicos e da adoção de ações para incentivar os serviços de saúde por enfermeiros empreendedores nesses segmentos. Algumas áreas a serem consideradas para novas ações em relação aos empresários de enfermeiro são: requisitos regulatórios, programas de seguro grupal, procedimentos de reembolso, programas de educação e treinamento, preferência em contratos governamentais para nichos específicos, e apoio orçamentário pela criação de um escritório para promoção(6).

Os poucos estudos relacionados ao ensino de empreendedorismo demonstram sua estagnação na área da Enfermagem.

Estudos relatam que a autoeficácia empresarial, os interesses e a escolha da carreira são mais propensos a surgir em estudantes em disciplinas de negócios, engenharia e ciências da vida do que em estudantes de Ciências Sociais, Humanidades e Enfermagem. Estes últimos provavelmente experimentam mais barreiras contextuais (pessoais ou financeiras), que os levam a rejeitar a sua potencial vocação empresarial(31).

Assim, o perfil não empreendedor dos estudantes(19) deveria ser levado em consideração na elaboração de novas políticas de ensino voltadas ao desenvolvimento dessa competência. O ensino de graduação deve proporcionar ao enfermeiro o desenvolvimento de características inerentes ao perfil empreendedor, que incluem: a busca por objetivos desafiadores com a adequada avaliação de riscos, a visualização e o aproveitamento de oportunidades, a autonomia e independência de decisões, a criatividade para soluções inovadoras e a realização profissional pelo sucesso(32).

No entanto, as próprias estruturas institucionais impedem o talento empresarial em disciplinas menos tradicionalmente empreendedoras, como a Enfermagem(31). A universidade estaria focando no gerenciamento do paciente, mas não ensinando gestão organizacional(6).

Diante de tais desafios, o ensino de empreendedorismo na Enfermagem é relatado como imprescindível na maioria dos estudos e demanda mais dedicação por parte de pesquisadores e professores(2,12,15,17-19,21-23,31).

É necessário que os educadores de enfermagem adotem a meta de preparar os enfermeiros com conhecimentos e habilidades adequadas para atender às demandas de uma prática profissional sempre em mudança e cada vez mais exigente(17), apontando a necessidade de um caminho ou estrutura formal para a preparação de futuros empreendedores. O desafio para os provedores de educação e treinamento será garantir que as vias desenvolvidas ofereçam flexibilidade suficiente aos indivíduos de forma a não sufocar a criatividade(24).

Há necessidade de busca de métodos próprios, diferentes do ensino tradicional(19), e interdisciplinaridade com profissionais de outras áreas da saúde(2). Neste sentido, o estudo de Boore (2011) apresenta o modelo NICENT de educação para o empreendedorismo na Enfermagem, relatando o processo de implantação desse modelo. São explicitadas a concepção, as adequações para o mundo da Saúde e da Enfermagem, a integração de conceitos teóricos relevantes, a validação e a efetiva implantação do programa, além de reflexões(17).

Limitações do estudo

Além da escassez de artigos atualizados que respondessem à questão norteadora deste estudo, observou-se que os estudos realizados tendem a investigar os obstáculos, em detrimento da busca por soluções para superá-los, fornecendo poucas ou insuficientes respostas.

Contribuições para a área de Enfermagem, Saúde ou Política Pública

Esta investigação é uma das mais completas sobre o assunto na atualidade, fornecendo percepções valiosas para a compreensão do empreendedorismo de negócios na Enfermagem. Identificou-se a falta de preparação dos enfermeiros para atuarem como gestores, revelando uma lacuna a ser preenchida no ensino de graduação. Revela-se necessário preparar os enfermeiros com conhecimentos e habilidades adequadas para atender às mudanças de demanda do mercado de trabalho, preparando-os como futuros empreendedores.

CONCLUSÃO

Entre os estudos revisados, foram encontradas pesquisas que buscam avaliar e interpretar o empreendedorismo de negócios na Enfermagem sob vários aspectos, emergindo os seguintes temas: Conceitos de empreendedorismo na Enfermagem, Ser um enfermeiro empreendedor, Diversidade de negócios, Gestão de Negócios, Barreiras, Apoio ao enfermeiro empreendedor e Ensino de empreendedorismo na graduação em Enfermagem.

Há convergência na caracterização de três formas de empreender na Enfermagem, de acordo com atuação do profissional, que depende de dimensões e domínios da vida profissional do enfermeiro: o empreendedor de negócios, o intraempreendedor e o empreendedor social. Determinadas características pessoais, atitudes ou competências definem o perfil do enfermeiro empreendedor, bem como o impulsionam a empreender, aproveitando oportunidades.

Uma gama de diferentes nichos de mercado é possível ao enfermeiro empreendedor. No entanto, o ramo de negócio sofre influência de inúmeros fatores, como localização, economia, legislação e cultura local, além daqueles relacionados às habilidades de cada profissional.

Na gestão de negócios, foram encontrados: avaliação de empreendimentos e diretrizes para o gerenciamento, além dos erros mais comuns, os quais estão relacionados ao despreparo do enfermeiro para atuar no gerenciamento de empresas. Por outro lado, são relatadas as diversas formas de apoio para que se torne um empreendedor, tais como associações, organizações sociais e voluntariados.

Em relação ao ensino de empreendedorismo na Enfermagem, os trabalhos convergem a um consenso na literatura: é imprescindível e ainda carece de maior atenção. É necessário preparar os enfermeiros com conhecimentos e habilidades adequadas para atender às demandas de uma prática profissional sempre em mudança e cada vez mais exigente, preparando-os como futuros empreendedores.

Este estudo sugere que outras pesquisas na área sejam realizadas, visando a novas contribuições para a Enfermagem ao aumentar a capacidade de integração dos profissionais no mercado de trabalho e ao melhorar o seu próprio bem-estar e o da sociedade.

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